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  • Cyane Tusset Canabarro

Aluguel de Imóveis e a Crise


Durante os anos de crise, que afetaram duramente o setor imobiliário, os preços de venda pararam de subir e o mercado de locação foi inundado por imóveis que não foram vendidos. Dessa forma, o que vimos foram reajustes de aluguel variando bem abaixo dos níveis de inflação. Como consequência, o mercado aposentou a “regra de ouro” – que indicava o valor de locação como 0.5% do valor de venda do imóvel – tão comumente usada para calcular valores de locação. Hoje, os valores estão bem mais dependentes do balanço fino entre oferta e demanda – ou seja, situados no entorno do ponto de equilíbrio entre quanto o dono gostaria de cobrar pelo aluguel e quanto o futuro inquilino está disposto a pagar. Em engenharia de avaliações, chamamos esta diferença – entre o valor anunciado (pedido pelo dono do imóvel) e o valor transacionado (o real valor o qual foi fechada a transação) – de elasticidade oferta/transação. Nos tempos atuais, é muito importante aferi-la com fundamentação para não cometer erros em uma avaliação. A Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) calcula, todos os meses, a taxa de rentabilidade do aluguel de imóveis. O último ano em que o retorno com a locação chegou a 0,5% do preço de venda (ou seja, foi aderente à “regra de ouro”) foi 2013, antes do início da recessão, em 2014. No ano passado, o valor de aluguel passou a representar, em média, 0,37% do valor de venda. No Rio de Janeiro, há registros desta percentagem chegar a 0,25% em bairros como Copacabana. Uma comparação ajuda a entender como os preços de venda e de locação se comportaram de maneiras diferentes na crise. Em janeiro de 2015, o valor de venda dos imóveis havia subido 12,7%, em 12 meses, segundo a Fipe. Em 2017, último ano da crise, esse valor de venda havia caído apenas 0,74%, também em 12 meses. Enquanto isso, as locações, que subiam 1,6% em janeiro de 2015, caíram 2,9% em janeiro de 2017.

“O preço de aluguel é mais sensível ao mercado. O valor de locação caiu bastante durante a crise, teve três anos de queda e só voltou a subir no ano passado em termos nominais. Enquanto isso, o preço de venda ficou estagnado”, resume o economista Bruno Oliva, da Fipe. Fonte: texto baseado em matéria de Douglas Gavras, Estadão Conteúdo. #crise #valorização #aluguel #locaçãoimóveis #mercadoimobiliário #avaliaçãodeimóveis

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